quinta-feira, 29 de julho de 2010

Mãe


Ou “mamãe”, era assim que começavam as minhas cartas há um tempo atrás se lembra? Naquelas folhas coloridas, amarela, rosa, azul, verde, e em nenhuma delas faltava esses versos:

Eu tenho tanto, pra lhe falar, mas com palavras, não sei dizer, como é grande, o meu amor... Por você [...]

Era fato que eles sempre estavam presentes em cada carta, primeiro porque esses versos são de seu ídolo, Roberto Carlos, segundo porque eles dizem tudo e qualquer coisa, sem que fosse necessário eu dizer mais alguma palavra.
O tempo passou, muito tempo passou, eu cresci, e você disse que eu já não era mais a sua menininha, mas isso não é verdade, eu sempre serei a sua menininha, não importa com quantos anos eu esteja, quantos amigos eu tenha, novos ou velhos, eu sempre vou ser aquela menininha que não saia de perto de você nem mesmo por um momento, e que mesmo em silêncio, tentou te dar forças em todos os momentos que você precisou.
Se lembra daquela garotinha que tantas vezes você superprotegeu? Ela cresceu, mas você ainda a superprotege, e isso, será que algum dia vai mudar? Eu espero que não.
E hoje, dia 28 de julho de 2010, é o seu dia. As pessoas costumam dizer que ninguém é perfeito, mas eu discordo, discordo completamente de tal afirmação, você é perfeita, eu poderia passar horas e horas, isolada do mundo, com o pensamento focado em encontrar algum defeito que seja para você, e então, eu poderia encontrar a superproteção, mas como pode ser um defeito quando você está fazendo isso por amor aos teus filhos? Como amar incondicionalmente poderia ser defeito? Eu poderia encontrar o silêncio quando deveria falar, mas como posso dizer que isso é um defeito se o silêncio evita o pior? Eu poderia ficar horas, e horas vagando por esses mesmos pensamentos, mas seria inútil, seria em vão, qualquer coisa que alguém ou até eu mesma ousasse apontar como defeito, não seria nem por um momento aceitável, eu diria que seria injusto, e pensando nisso, logo eu desisto de tentar encontrar isso, de qualquer forma, isso não faria sentido.
E então, eu poderia começar a pensar em todas as tuas qualidades, mas isso seria tão irracional sabia? Porque você simplesmente consegue ser tudo! Incrivelmente você consegue tornar todas as dificuldades em momentos tão fáceis, você faz a minha insegurança ir embora, porque eu sei que você vai estar do meu lado sempre, pra tudo e qualquer coisa, quando estou com medo, os seus braços me acalmam de uma forma tão carinhosa.
Falar pra você, e de você, é lembrar de afeto, carinho, e o mais puro e verdadeiro amor que possa existir.
Eu ouço tanto por aí “a minha mãe é insuportável”, “a minha mãe é muito chata”, “a minha mãe me enche o tempo todo”, “a minha mãe é isso e aquilo”, enfim... Tantas reclamações, tantas críticas, tantos xingamentos, e fico me perguntando onde está o problema será que nos filhos ou será que, além de qualquer clichê que exista por aí, eu tenho a melhor mãe do mundo? Então, eu ainda fico com a segunda opção, e ainda que digam que não, pra mim você é, e sem nada mais a dizer, me resta a dizer, o que eu sempre dizia nos finais daquelas cartas, aquelas mesmas com os papéis coloridos...

Obrigada por existir!


Com todo amor que houver nessa vida,
Christine Geraldo Wengrzynek.



Essa é uma carta real, que eu realmente entreguei pra minha mãe, porque ontem foi aniversário dela *-* e hoje mais do que nunca ela merece cada palavra escrita aí.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dilema

Á favor e contra. Sim... Eu não tenho apenas uma visão em relação a isso, até porque a meu ver, isso é um tanto quando difícil.
Então, primeiramente, vamos aos prós. Você acredita que um tapa vá tornar alguém obediente e educado? Não, não vi... Vai deixar esse alguém com medo de você, e com isso vai criar a impressão de que está adiantando, mas não se engane, não está, medo é bem diferente de obediência. E mais? Em sua grande maioria a violência vem de onde? Tem inicio onde? Exatamente, em casa. Se uma criança apanha de seus pais, de fato será assim que castigará seus futuros filhos, não quero generalizar, então na grande maioria dos casos são assim. Crianças crescem dentro de um mundo violento, e então criam um pensamento, uma visão violenta; acredito e espero que com essa proibição isso melhore muito, já que, indo agora aos contras, isso é realmente desnecessário, melhor dizendo, não é prioridade em um Brasil que está precisando de leis realmente relevantes, que mudem toda essa bagunça, que seja de total precisão para com todos. O nosso país anda banalizando leis, autoridades estão usando do seu poder para criar leis desnecessárias apenas pra dizer que estão fazendo algo, que estão pensando na população, quando na verdade estão pouco se importando com todos, estão tentando com isso ocultar as suas falhas e roubalheiras incessantes, buscando esconder toda podridão escondida atrás de palitos e gravatas, escondendo incessantemente a hipocrisia de suas preocupações com o mundo.
Diante de tais visões, não posso me colocar contra nem a favor dessa lei, apenas posso esperar que ela surta efeitos, para que de alguma maneira a hipocrisia faça algum sentindo.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Discretamente Perigoso (Capítulo VI)


No outro dia pela manhã, Alice chegava à faculdade, estava com o olhar atento para todos os lados, já se sentia mais segura ao andar pelos corredores e eles não pareciam mais tão longos como no primeiro dia. Estava chegando a sua sala, quando ouviu uma voz já conhecida por ela, e em uma ação involuntária de seu corpo, ela parou ao lado da porta.
-... Já disse pra que você não me ligasse esse horário, você sabe o quanto é arriscado, ainda mais agora e você sabe o motivo. – disse John, baixo e fez-se silêncio.
- Não me liga mais, quando eu necessitar da tua ajuda, eu ligo, do contrário não me ligue! – disse John grosseiro, em seguida desligando o celular.
Nesse mesmo instante, Alice, entra na sala e olha para John, dando um sorriso misturado de sarcasmo e simpatia, John a olha, sério, a fulminando com os olhos. Ela senta-se no seu lugar, e no decorrer da aula seus pensamentos ficam longe tentando de alguma forma se concentrar para colocar em prática os planos que rondavam seus pensamentos, até que é despertada pelo irritante sinal. Todos se retiram da sala, exceto ela e John, como já havia virado rotina.
- John, as coisas são tão engraçadas não acha? – disse ela com um tom divertido ao mesmo tempo em que se levantava de sua cadeira e ia em direção a ele.
- Por que diz isso querida Ash? – disse ele sarcástico.
Ela sorrindo divertida, colocou-se a frente dele, apoiando suas mãos em sua mesa, e olhando-o nos olhos.
- Porque é como se as coisas estivessem nesse momento se encaixando, e pra isso eu não tenha feito simplesmente nada. – com o mesmo tom.
- Que coisas estão se encaixando? – disse ele ficando com uma expressão dura.
- Não seja ingênuo querido! – disse Alice com sarcasmo – Nós dois sabemos o que está acontecendo por aqui hum? Não precisa ficar com medo! – voltando ao tom divertido.
- Com quem pensa que está falando? – gritou ele.
Alice assusta-se um pouco com essa ação inesperada, mas não desiste.
- Está ficando assustado John? As coisas estão ficando ruins para o teu lado querido? – disse ela com sarcasmo.
- Quem você pensa que é para falar nesse tom comigo? Você não sabe com quem está lidando! – disse ele nervoso, e ficando em pé – Eu posso acabar com você garotinha! – ameaçador.
- Você quem não sabe com quem está lidando garoto! – disse Alice ficando séria – Eu vou te avisar uma coisa, daqui pra frente tudo vai ser diferente, já chega de brincar de lobo-mau, a brincadeira acabou! – olhando-o profundamente.
- Eu deveria ter medo de você? – disse debochado.
- Responda isso você mesmo, agora o jogo vai começar pra valer garoto, seremos apenas eu e você! – disse ela decidida, e logo em seguida ouve-se mais uma vez o sinal, e todos começam a retornar as suas salas.
Alice sem tirar seus olhos dos dele, volta para seu lugar, sentando-se. A aula passa arrastando-se, e Alice inquieta, esperando ansiosamente pelo fim, sabendo o que viria, e depois de horas, o sinal finalmente toca, ela se levanta, e sai da sala sem olhar para John.
A caminho de sua casa, mais uma vez sente que está sendo seguida, mas dessa vez, ela sorri vitoriosa, e acelera os passos, pura e simplesmente por ansiedade. Passando por uma rua mais escura, ela sente mãos a segurando novamente e a levando para um lugar ainda mais escuro, ela sabia bem quem era, ao ser encostada na parede e sentir braços a prendendo.
- Eu estava esperando por você, John! – disse ela com um sorriso sarcástico no rosto.
- Quem é você afinal? Me diga! Quem é você de verdade? – disse John gritando.
Alice soltou uma gargalhada divertida, em seguida colocando uma mão sobre o peito dele e o empurrando para trás, fazendo com que ele se encostasse na parede dessa vez.
- Por que está tão nervoso garoto? Poderia até me arriscar a dizer que está com medo. – disse ela ainda rindo.
- Não estou com medo, mas você sim deveria estar! – disse ele ameaçador.
- Sabe John... – disse Alice, aproximando-se do rosto dele, ficando com sua boca a poucos centímetros da dele – até agora só me fez ameaças e mais ameaças, eu não creio que você seja tão perigoso quanto quer ser. – disse ela sussurrando, com uma voz um tanto quanto sedutora.
John cerrou os dentes com força, engoliu a seco, esquecendo-se de respirar por alguns minutos.
- O que está tentando fazer? – disse ele ofegando um pouco.
Alice sorriu de lado, aproximou seus lábios da orelha de John.
- Tentando? Nada querido John! Eu apenas faço, ajo, ao invés de apenas fazer ameaças... – sussurrou ela suavemente, ao mesmo tempo em que deixava sua mão deslizar pelo peitoral de John, até o cós de sua calça, sorrindo com maldade ao escutar ele ofegar – e sabe o que é melhor de tudo isso? Mesmo começando a jogar mais tarde do que você, eu já estou ganhando! – disse isso e em seguida mordeu levemente o lóbulo da orelha dele, se afastando e olhando-o. Soltando uma gargalhada assim que o olha, olha em seus olhos, sorrindo divertida e vitoriosa.
- Algum problema querido? – sarcástica.
- N-nã-não! – gagueja ele, respirando fundo tentando encontrar o ar que lhe fugiu – Você está brincando com fogo. Se você quer jogar, nós vamos jogar! – disse ele a fulminando com os olhos pela segunda vez no dia, com tom ameaçador.
- John... – ri Alice – Antes de começar a jogar, acho que você deveria ir pra casa, tomar um banhozinho gelado! – dando uma piscadinha para ele, e saindo dali – Bye bye querido! – sarcástica, disse já um pouco distante.
John a olhando de longe, ainda estava meio extasiado, porque ele não poderia ser louco de negar, era uma mulher linda e atraente demais.
- Isso não vai ficar assim! – foi apenas o que disse [...]