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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Especialmente hoje

Sobre você ou para você, eu não sei bem como eu poderia definir isso, mas na verdade, isso não importa, não faz diferença agora.
Hoje, você se fez presente de uma forma tão intensa, a tua presença estava por todos os lados, as tuas lembranças estavam por toda a parte... Desde o sorriso, até as belas palavras que sempre costumava a dizer. Esquecer-me de você, seria o mesmo que esquecer da minha própria vida, porque você fez parte de toda uma história, do livro dos meus dias, e eu escrevi cada página com teu nome com tanto carinho, mas hoje... Em especial hoje, em tudo você parecia estar presente, por toda parte parecia existir o teu sorriso.
Acredito verdadeiramente que não foram apenas os meus, mas, meus olhos olhavam por toda parte procurando algo, dizendo melhor, alguém, com a certeza de que não encontraria, mas com a esperança de encontrá-lo ali, em algum lugar, rindo... Sim, rindo. Porque você fazia tudo se tornar uma festa, e a melhor memória que trago de você... São incrivelmente todas, porque o tempo todo estava rindo e sorrindo, alegrando a quem quer que estivesse triste.
Eu poderia me esquecer das exatas palavras, mas jamais poderia me esquecer de alguém tão apaixonado quanto fora você, depois de tanto tempo, ainda escrevia pequenas cartas declarando o teu amor. Eu poderia me esquecer de quantas vezes, mas jamais me esqueceria das inúmeras vezes que eu ouvi um ‘minha cunhada preferida’. Eu poderia, e de fato, me esqueci das exatas palavras que usava para “exaltar” tua sogra, sempre que lhe fosse dada a oportunidade... Ou não. Esquecer-me da maneira que você se importava e cuidava com tanto amor dos teus filhos mesmo que chegasse de um dia árduo de trabalho? Não, eu não poderia em hipótese nenhuma me esquecer. Eu poderia me esquecer do grave som da tua voz, mas jamais me esqueceria das inúmeras vezes que ouvi um ‘Crica’, a maneira que apenas você me chamava; disso eu jamais me esqueceria.
Hoje, especialmente hoje, me bateu uma enorme saudade no peito, que me faz senti-la até agora, talvez eu nunca tenha parado para pensar, talvez eu não quisesse isso, por saber que doeria demais, mas hoje de alguma forma eu me obriguei a isso, e mais do que nunca, eu percebi a falta que você faz, eu percebi como a tua ausência é completamente perceptível, eu descobri em muitos olhares hoje, a dor da saudade no coração de cada um desses olhares.
Mas aqui, agora, escrevendo essas pequenas palavras, dos meus olhos caem lágrimas, mas não, não de tristeza, de saudade sim, mas em especial, de felicidade... Felicidade por saber que você, fisicamente, existiu, que você fez surgir tantos sorrisos espontâneos, que tantas vezes fez gargalhadas – daquelas gargalhadas gostosas – acontecerem.
Você, infelizmente, fisicamente, se foi... Com toda certeza, sei que para um lugar bem melhor do que aqui, mas a tua memória, você está e sempre estará em meu coração, nas minhas lembranças eu sempre terei os teus instantes transformados em momentos eternos, inesquecíveis. Você, meu tio, foi uma das principais pessoas que eu mais admirei em toda a minha vida.
Há uma frase que diz assim “Não chore pelas coisas terem terminado, sorria por elas terem existido”, e de alguma forma, ela me faz sorrir sempre, porque ela me faz lembrar de você, porque ela me faz lembrar dos tantos momentos que de risos e sorrisos que você proporcionou, não apenas para mim, mas para muitas pessoas.
Tio Fernando, onde quer que você esteja agora, eu sei que hoje você estava presente entre nós, eu sei que o teu sorriso bobão de emocionado estava estampado no teu rosto, sim, eu sei que de alguma forma você estava ali. Eu queria poder ter dito isso enquanto ainda era tempo, mas percebi tarde demais que eu nunca te falei isso, talvez ainda não seja tarde demais, de qualquer maneira, digo que, eu amo você, e você se faz vivo em todas as minhas lembranças, eu sinto saudades, sinto tua falta... Mas o que me conforta, é saber que aí onde está você está feliz, o que nunca poderia ser diferente.


Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém, que o que mais queremos, é tirá-la dos nossos sonhos e abraçá-la. (Clarice Lispector)
Esse texto foi feito no dia 25/09/2010, e como foi dito ali, tenho certeza de que não para mim a única pessoa a qual ele se fez tão presente nesse dia. Feito ao meu tio Fernando, que infelizmente se foi.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Insegurança

Não sei, às vezes tudo é tão estranho. Medo. Insegurança. Por um momento, desconfiança. Dor. As coisas mudam numa freqüência tão grande; talvez a explicação para tudo seja só e simplesmente a insegurança. Mas é difícil encontrar uma razão para tanto, quando tudo é tão mútuo. Eu não quero ter que ver acontecer, fazer acontecer o que mais temo, por erros meus, por desconfianças momentâneas, por medos exagerados. Não quero me deixar cegar pelo desespero da falta. 
Que meu coração não pertence mais a mim é fato, ele já não bate sozinho, está sintonizado, e por isso teme em ficar só. Mas é tão injusto sentir meu coração doer por algo que, é incerto. É irreal. Perder tudo por insegurança? Não! Eu quero parar, quero não pensar, mas isso às vezes é como uma droga que me consome de maneira que nada do que eu tente fazer mude alguma coisa. É uma droga. Eu quero parar. Eu quero não pensar. Eu quero controlar. Mas como? Eu não posso, é tão fora de controle. É como se percorresse cada ligação nervosa do meu corpo, e de repente, nada mais faz sentido, tudo parece perdido na escuridão da minha insistência em deixar cegar a mim mesma. Quero poder fechar os olhos e não pensar no fim, no erro, no engano, na mentira. Irrealidade. Essa droga, insegurança, talvez me consuma por ter uma ainda mais forte tomando conta da minha sanidade, do meu controle, essa percorre as minhas veias, mantém meus batimentos, perturba os meus pensamentos, descontrola a minha respiração. Mantém a minha sobrevivência. Isso é insensato. Isso é real. Amar é loucura. Amor é insensatez. A vida é realmente insensata e basta!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Discretamente Perigoso (Capítulo VI)


No outro dia pela manhã, Alice chegava à faculdade, estava com o olhar atento para todos os lados, já se sentia mais segura ao andar pelos corredores e eles não pareciam mais tão longos como no primeiro dia. Estava chegando a sua sala, quando ouviu uma voz já conhecida por ela, e em uma ação involuntária de seu corpo, ela parou ao lado da porta.
-... Já disse pra que você não me ligasse esse horário, você sabe o quanto é arriscado, ainda mais agora e você sabe o motivo. – disse John, baixo e fez-se silêncio.
- Não me liga mais, quando eu necessitar da tua ajuda, eu ligo, do contrário não me ligue! – disse John grosseiro, em seguida desligando o celular.
Nesse mesmo instante, Alice, entra na sala e olha para John, dando um sorriso misturado de sarcasmo e simpatia, John a olha, sério, a fulminando com os olhos. Ela senta-se no seu lugar, e no decorrer da aula seus pensamentos ficam longe tentando de alguma forma se concentrar para colocar em prática os planos que rondavam seus pensamentos, até que é despertada pelo irritante sinal. Todos se retiram da sala, exceto ela e John, como já havia virado rotina.
- John, as coisas são tão engraçadas não acha? – disse ela com um tom divertido ao mesmo tempo em que se levantava de sua cadeira e ia em direção a ele.
- Por que diz isso querida Ash? – disse ele sarcástico.
Ela sorrindo divertida, colocou-se a frente dele, apoiando suas mãos em sua mesa, e olhando-o nos olhos.
- Porque é como se as coisas estivessem nesse momento se encaixando, e pra isso eu não tenha feito simplesmente nada. – com o mesmo tom.
- Que coisas estão se encaixando? – disse ele ficando com uma expressão dura.
- Não seja ingênuo querido! – disse Alice com sarcasmo – Nós dois sabemos o que está acontecendo por aqui hum? Não precisa ficar com medo! – voltando ao tom divertido.
- Com quem pensa que está falando? – gritou ele.
Alice assusta-se um pouco com essa ação inesperada, mas não desiste.
- Está ficando assustado John? As coisas estão ficando ruins para o teu lado querido? – disse ela com sarcasmo.
- Quem você pensa que é para falar nesse tom comigo? Você não sabe com quem está lidando! – disse ele nervoso, e ficando em pé – Eu posso acabar com você garotinha! – ameaçador.
- Você quem não sabe com quem está lidando garoto! – disse Alice ficando séria – Eu vou te avisar uma coisa, daqui pra frente tudo vai ser diferente, já chega de brincar de lobo-mau, a brincadeira acabou! – olhando-o profundamente.
- Eu deveria ter medo de você? – disse debochado.
- Responda isso você mesmo, agora o jogo vai começar pra valer garoto, seremos apenas eu e você! – disse ela decidida, e logo em seguida ouve-se mais uma vez o sinal, e todos começam a retornar as suas salas.
Alice sem tirar seus olhos dos dele, volta para seu lugar, sentando-se. A aula passa arrastando-se, e Alice inquieta, esperando ansiosamente pelo fim, sabendo o que viria, e depois de horas, o sinal finalmente toca, ela se levanta, e sai da sala sem olhar para John.
A caminho de sua casa, mais uma vez sente que está sendo seguida, mas dessa vez, ela sorri vitoriosa, e acelera os passos, pura e simplesmente por ansiedade. Passando por uma rua mais escura, ela sente mãos a segurando novamente e a levando para um lugar ainda mais escuro, ela sabia bem quem era, ao ser encostada na parede e sentir braços a prendendo.
- Eu estava esperando por você, John! – disse ela com um sorriso sarcástico no rosto.
- Quem é você afinal? Me diga! Quem é você de verdade? – disse John gritando.
Alice soltou uma gargalhada divertida, em seguida colocando uma mão sobre o peito dele e o empurrando para trás, fazendo com que ele se encostasse na parede dessa vez.
- Por que está tão nervoso garoto? Poderia até me arriscar a dizer que está com medo. – disse ela ainda rindo.
- Não estou com medo, mas você sim deveria estar! – disse ele ameaçador.
- Sabe John... – disse Alice, aproximando-se do rosto dele, ficando com sua boca a poucos centímetros da dele – até agora só me fez ameaças e mais ameaças, eu não creio que você seja tão perigoso quanto quer ser. – disse ela sussurrando, com uma voz um tanto quanto sedutora.
John cerrou os dentes com força, engoliu a seco, esquecendo-se de respirar por alguns minutos.
- O que está tentando fazer? – disse ele ofegando um pouco.
Alice sorriu de lado, aproximou seus lábios da orelha de John.
- Tentando? Nada querido John! Eu apenas faço, ajo, ao invés de apenas fazer ameaças... – sussurrou ela suavemente, ao mesmo tempo em que deixava sua mão deslizar pelo peitoral de John, até o cós de sua calça, sorrindo com maldade ao escutar ele ofegar – e sabe o que é melhor de tudo isso? Mesmo começando a jogar mais tarde do que você, eu já estou ganhando! – disse isso e em seguida mordeu levemente o lóbulo da orelha dele, se afastando e olhando-o. Soltando uma gargalhada assim que o olha, olha em seus olhos, sorrindo divertida e vitoriosa.
- Algum problema querido? – sarcástica.
- N-nã-não! – gagueja ele, respirando fundo tentando encontrar o ar que lhe fugiu – Você está brincando com fogo. Se você quer jogar, nós vamos jogar! – disse ele a fulminando com os olhos pela segunda vez no dia, com tom ameaçador.
- John... – ri Alice – Antes de começar a jogar, acho que você deveria ir pra casa, tomar um banhozinho gelado! – dando uma piscadinha para ele, e saindo dali – Bye bye querido! – sarcástica, disse já um pouco distante.
John a olhando de longe, ainda estava meio extasiado, porque ele não poderia ser louco de negar, era uma mulher linda e atraente demais.
- Isso não vai ficar assim! – foi apenas o que disse [...]

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Discretamente Perigoso (Capítulo V)


- Com licença Peter! – disse Alice entrando na sala de Peter.
- Algum problema Alice? – a olhou.
- Sim! Eu quero começar a fazer as coisas do meu jeito! – disse ela séria.
- E que jeito seria o teu? – disse ele intrigado.
- Eu não quero mais ser a boa moça daquela faculdade e ser a garotinha que é ameaçada pelo mal da universidade, aquele garoto tem algo a ver com o desaparecimento de Dan, e eu vou descobrir qual o envolvimento dele nisso, mas não sendo uma boba. – disse ela decidida.
- Alice você não pode se arriscar dessa forma, ele pode descobrir e...
- Peter, ele já sabe! – o interrompe. – Ele sabe quem sou, ou melhor, quem eu não sou.
- Como? – disse Peter surpreso.
- Eu não sei como Peter, mas ele sabe, eu sei que sabe, e eu não vou mais ficar brincando de faz de conta com esse rapaz.
- É perigoso Alice, entenda! – disse ele se alterando um pouco.
- Eu não me importo! – grita ela. – Eu sei o quanto isso pode ser perigoso pra mim... – voltando ao normal – Mas eu tenho que fazer enquanto é tempo de recomeçar, de refazer e reavaliar, eu já me decidi, eu vou fazer as coisas como quero, você aceitando isso, ou não!
- Eu posso te por na rua garota! – disse ele sério.
- Coloque Peter, coloque, mas nem isso vai me impedir! Esse caso é meu, aqui dentro ou não, eu vou resolver esse caso. – disse ela séria, fazendo menção de sair da sala.
- Alice! – disse ele num tom grave.
- Sim Peter? – disse virando-se para ele.
- Eu gosto da tua determinação, da maneira como consegue ser decidida, você tem o meu apoio. – sorrio levemente.
- Obrigada Peter, é bom saber disso! – sem esboçar nenhum sorriso – Sabe onde está Raul?
- Em sua sala, acredito eu!
- Obrigada! – saindo da sala de Peter e indo em direção a sala de Raul.
Alice estava realmente decidida em relação ao que estava em sua mente, ela iria colocar aquele garoto contra a parede, iria descobrir o que estava por trás daquele desaparecimento, ela estava determinada.
- Com licença Raul! – disse colocando a cabeça para dentro da sala.
- Ah, entre Alice! – disse sorrindo ao olhá-la.
- Posso falar com você um instante? – disse ela entrando e fechando a porta.
- Claro que sim, está tudo bem? Parece um tanto quanto nervosa! – olhando-a.
- Sim, está, quer dizer não... Ah, eu não sei Raul! – disse se enrolando – Eu tomei uma decisão, acabei de sair da sala de Peter, e ele me apóia na minha decisão.
- Que decisão seria essa? – interessando-se.
- Eu não vou mais me passar pela aluna bobinha, eu vou colocar aquele garoto contra a parede, ele está envolvido nisso. – disse convicta.
- E como sabe disso? – com expressão confusa.
- Assim que saiu da minha sala quando estávamos conversando, eu recebi um telefonema e [...] – Alice contou todo o ocorrido do telefonema anônimo que havia recebido a Raul e o porquê de ter certeza que era ele.
- Alice... Você sabe o quanto isso pode ser perigoso não é? – disse Raul preocupado.
- Sim, eu sei Raul, e não me importo mais, eu quero desvendar tudo isso.
- Alice! Alice! – suspirou Raul e sorriu em seguida – Você sabe que eu vou estar aqui sempre que precisar. – esticou suas mãos segurando as dela sobre a mesa.
- Obrigada Raul, eu sabia que você não iria ir contra minha decisão. – sorriu ela, segurando as mãos dele também.
Os dois olharam-se cúmplices, sorrindo um ao outro, mais do que colegas de trabalho, eram grandes amigos [...]



Resolvi fazer um capítulo mais calminho, só pra deixar com um gostinho de “quero mais ação”, e nos próximos, aguardem que ação não vai faltar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Discretamente Perigoso (Capítulo IV)


Já no outro dia Alice estava na Unidade de Investigação conversando com seu amigo, que também era detetive, Raul, um rapaz também jovem, um pouco mais velho que ela, tinha 26 anos.
- Alice fica calma! Você ficar dessa forma não vai ajudar em nada, ele não pode fazer nada com você, ainda mais se ele realmente sabe de tudo, ele sabe que corre um grande risco se fizer alguma coisa. – disse Raul tentando tranquilizá-la.
- Eu não posso ficar calma Raul, não posso! – disse aflita, sentando em um sofá que tinha na sala – Ele me ameaçou, ele me dá medo, os olhos dele parecem que me matam apenas por me encararem – colocando as mãos sobre o rosto, e começando um choro incessante.
Raul aproximou-se dela, sentando-se em uma mesinha que havia em frente ao sofá, e ficou olhando-a.
- Alice! – chamou-a com voz firme.
Ela então tirou suas mãos do rosto, e olhou para ele, ainda chorando.
- O que? – disse chorosa.
- Eu odeio te ver chorar, portanto, acabe com suas lágrimas e escute! – disse olhando intensamente para ela, em seguida segurando suas mãos – Você não queria tanto uma investigação com tal grau de importância e, consequentemente, perigo? – disse ele calmo.
- Eu queria, é claro que eu queria Raul. – disse Alice se alterando um pouco e levantando-se do sofá, olhando pela janela – Mas John é completamente assustador. – sussurrou as últimas palavras.
Raul se levantou e colocou-se atrás de Alice, pousou uma mão em seu ombro e apertou como um gesto de carinho.
- Você quer desistir? – perguntou Raul, hesitante.
Alice se calou, e ficou olhando longe, instantes depois, baixou sua cabeça, fechando lentamente os olhos, ele então suspirou.
- Eu vou ver com Peter alguém que possa fazer isso no seu lugar. – disse Raul, dando um beijo cheio de afeto na cabeça de Alice, encaminhou para a porta, e antes mesma de abri-la ouviu a voz dela:
- Não! – disse ela levantando a cabeça, e virando-se para ele – Eu não quero desistir! – olhando-o – Se eu consegui essa investigação foi porque eu mereci, eu a conquistei, o meu esforço esses anos me fizeram chegar até aqui, e eu não vou perder essa chance por um medo idiota de um garoto que tão pouco sabe o que quer da vida! – disse Alice, firme e decidida.
Raul sorrio, e caminhou até ela.
 - Eu sabia que você não iria desistir tão facilmente. – deu um beijo terno na testa de Alice – Você conseguirá, nós confiamos em você. – piscou para ela e se retirou da sala, deixando Alice pensativa.
Seus devaneios são afastados pelo barulho do telefone.
- Unidade de Investigação! – atendendo o telefone.
- Alice? – pergunta a voz masculina, mas desconhecida, do outro lado.
- S-sim. – hesitante. – Quem fala?
- Eu não quero me identificar, se é que me entende, eu apenas quero falar uma coisa, que eu acho que pode te ajudar na tua busca.
- Claro, eu entendo. Pois bem, me diga então o que sabe? – interessando-se na conversa.
- Naquela festa aquela noite, eu vi o Dan conversando com um rapaz estranho, vi de longe, parecia que estavam discutindo, ou muito perto disso, eu apenas consegui ouvir uma frase, muito ameaçadora por sinal. – disse a pessoa nervosa.
- E que frase seria essa? – prestando atenção em cada palavra.
- Muitas pessoas já se arrependeram amargamente.
Alice então paralisou ao ouvir aquilo e seus pensamentos logo voltaram ao “primeiro” dia de aula.

- Tem algumas coisas que você precisa aprender sobre mim Ashley. – disse ele com tom de desprezo ao pronunciar o nome dela – Não fale comigo, a menos que eu puxe assunto com você, muitas pessoas já se arrependeram amargamente por quebrar essa regra. – disse ele cuspindo as palavras, quase gritando – Entendeu? – e finalmente sorrio, um sorriso sarcástico e sombrio.

- Alô? – Alice é tirada de seus pensamentos pela voz desconhecida.
- Sim, me desculpe. A sua informação pode nos ser muito útil. – disse Alice.
- Eu espero que seja. – logo ao terminar a frase, desligou, sem dar tempo de Alice responder.
Alice desligou o telefone, e se perdeu nos teus pensamentos, e só conseguia pensar no que aquele homem desconhecido havia lhe dito. – Então era por isso que ele estava tão aflito com essa busca? Por isso me perseguiu aquele dia? Mas o que Dan, um rapaz daquele porte iria estar fazendo, numa discussão com John? – Eram pensamentos que rondavam a cabeça de Alice, que nesse momento saiu em direção a sala de Peter [...]

Até onde vai o poder do amor?


Júlia estava sentada em sua janela, observando o dia, que estava nublado, mas não estava frio nem chovendo, seus pensamentos vagavam, e se lembrava de quantas juras de amor já fizera:
- Será que você está pensando em mim também? – sussurrou olhando para o horizonte.

Do outro lado da cidade, em uma sacada de um simples apartamento, estava Lúcio, com uma fotografia na mão, observando-a:
- O que será que estas fazendo nesse momento? – disse para si mesmo, suspirando em seguida.

- Eu não posso deixar tudo terminar assim! – disse Júlia, saindo de sua janela e indo até o seu closet, escolheu uma roupa nem tão formal, mas não muito básica, trocou de roupa, se maquiou, prendeu os cabelos em um “rabo de cavalo”, pegou sua bolsa e saiu em direção à porta de sua casa, pegou as chaves do carro, e caminhou a passos largos até o carro.

Lúcio estava deitado no sofá, vendo uma programação qualquer de domingo à tarde, até que houve sua campanhia tocar.
- Quem será logo hoje? – levantou-se do sofá resmungando, e caminhou até a porta, abrindo-a – Você? – disse surpreso.
- Sim, atrapalho? – disse Júlia serenamente.
- Não, claro que não! – se apressou em dizer – Entre! – dando passagem à ela, e em seguida fechando a porta – Então... O que a traz aqui? – olhando-a.
- Você! – disse olhando-o.
- Eu?
- Sim, você Lúcio.
- Você... Pode me explicar? – com uma cara confusa.
- Claro! – diz Júlia, dando uma leve risada da cara que ele havia feito – Lúcio, por que as coisas entre nós dois terminaram? – disse, voltando a ficar séria.
- Nossas brigas intermináveis, nossos desentendimentos por qualquer besteira. – respondeu-lhe Lúcio.
- Exatamente! Deixamos o nosso casamento de 5 anos terminarem por causa de brigas e desentendimentos, por besteiras, certo?
- Certo, mas, aonde quer chegar com isso?
- Eu quero chegar ao nosso amor. – disse ela olhando-o nos olhos.
- Nosso amor? – perguntou sem entender.
- Sim Lúcio, o nosso amor. – disse ela se aproximando dele – Nós deixamos todas as bobagens serem maiores do que sentimos um pelo outro, deixamos com que as brigas destruíssem o que nós levamos anos para construir, e nós o que fizemos? Não fizemos nada, apenas deixamos tudo acontecer de braços cruzados.
- O que poderíamos ter feito Júlia? Tudo estava desandando, tudo entre nós parecia dar errado, tudo era motivo de briga.
- Poderíamos não ter feito muita coisa, poderíamos ter feito muitas coisas, aliás, Lúcio você ainda me ama com a mesma intensidade de antes? – perguntou Júlia.
- Eu surpreendentemente ainda te amo a cada dia mais Júlia, eu acho que vai ser sempre assim, o meu sentimento por você nunca foi pouco. – disse ele com certeza.
- Eu também te amo Lúcio! E diante disso, o que nos impede de recomeçar? De zerar tudo e tentar construir tudo o que tínhamos?
- Mas Júlia... – disse ele.
- Nada de “mas” Lúcio – interrompe-o ela – Nós poderíamos deixar tudo como está e nos tornar dois desconhecido e entrar para a lista de mais um casamento vencido pelas brigas idiotas, mas é tempo de tornar àquela tarde de novembro, uma tarde clara e fresca, sossegada como a nossa casa e o trecho da rua em que morávamos.
Lúcio ficou em silêncio por alguns segundos.
- E se não der certo? E se nos machucarmos de novo? Se tudo continuar a ser como antes? – disse ele.
- Se. Se. Se. Lúcio, eu não quero pensar em se as coisas vão dar certo ou não, porque elas só vão continuar como antes se nós dois deixarmos, eu quero viver o presente, eu quero viver o agora e construir o futuro que sempre sonhamos. – disse ela olhando-o nos olhos.
- Júlia... Eu te amo, eu realmente te amo como eu jamais irei conseguir amar outra pessoa, mas na, eu não posso nos dar a oportunidade de nos machucar novamente. – disse ele com pesar.
- Não pode... – disse Júlia balançando a cabeça lentamente, e sentindo as lágrimas inundarem seus olhos – Eu apenas queria que se concentrasse no presente assim como eu estou querendo fazer, mas se o teu amor não é o suficiente para assumir comigo essa luta, eu infelizmente não posso fazer nada. – disse amargamente.
- Não Júlia, o meu amor seria capaz de fazer muitas coisas, ele só não é capaz de te machucar ainda mais. – suspirando.
Ela olhou-o com um tanto de desprezo, e caminhou até a porta, abrindo-a, antes de sair, de costas para Lúcio, disse:
- Se algum dia você perceber que o nosso amor poderia superar qualquer coisa, lamente-se muito, porque embora eu te ame demais, eu não irei esperar alguém que não é capaz de lutar por nós dois. – disse com voz chorosa e saiu, batendo a porta.
Lúcio ouviu, e ficou olhando a porta bater, sem nenhuma reação, e apenas sussurrou pesaroso “eu te amo Júlia!”.

Depois desse dia minha vida nunca mais seria a mesma.” Pensou Júlia ao entrar no elevador, e sentiu as lágrimas molharem o seu rosto, encostou-se e desceu até o chão se deixando cair em um choro incessante.
- Eu só queria estar com você novamente, mas eu não vou mais viver como alguém que só espera um novo amor. Eu vou viver a minha vida, com ou sem você. – disse decidida, secando suas lágrimas, saindo do elevador e caminhando até o teu carro.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Discretamente Perigoso (Capítulo III)


Alice estava caminhando em direção à sua casa após ter saído da Universidade, e estava no celular com o seu chefe:
- Peter eu não sei por quanto tempo eu irei conseguir permanecer com isso. – disse numa mistura de decepção e desespero.
- Você tem que conseguir Alice, é a nossa única chance de conseguir descobrir alguma coisa, não temos nenhuma outra arma, não temos pistas, ninguém da festa viu nada, e se viram não querem falar. Você consegue, eu sei que consegue, nós estamos com você. – disse Peter do outro lado com um tom duro, mas ao mesmo tempo consolador.
Alice suspirou pesarosa, e por um momento sentiu a presença de alguém, e virou-se rapidamente para trás, mas não havia ninguém, olhou para os lados, procurando algum vestígio, mas não havia nada, começou a caminhar mais rapidamente.
- Alice? – disse Peter do outro lado da linha.
- Sim? Desculpe-me Peter, tive a sensação de que tinha alguém perto, mas acho que foi só minha impressão. Enfim... Eu irei prosseguir, eu irei tentar. – suspirou.
- Não se preocupe Alice, você pode fazer isso. – disse Peter.
- Está bem, obrigado Peter. Até logo! – disse Alice desligando o celular.
A casa de Alice era um tanto quanto afastada de tudo, morava em um apartamento num bairro de classe média da cidade, e já era fim de tarde, estava começando a escurecer, ainda tinha a sensação de estar sendo seguida, caminhava rápido e olhando para todos os lados, mas de repente, sentiu uma mão sobre sua boca e um braço envolta de si a carregando para um “beco” que havia ali perto, não pode fazer nada além de se debater e tentar gritar, mas o braço que a prendia era forte demais, ela não teria nenhuma chance, e então sentiu tudo escurecer, e o desespero tomou ainda mais conta de si, foi encostada na parede, e ficou encurralada entre os braços, que entre um fio de luz que passava ali pode ver a sombra dos olhos, de John, o olhou nos olhos, e como sempre acontecia quando fazia isso, sentiu o ar lhe faltar, e não conseguiu dizer nenhuma palavra.
- Olá Ash! – disse John, como sempre, sarcasticamente.
- O-oi! – disse Alice gaguejando e tentando sorrir, sem sucesso.
- Está com medo de mim? – soltou uma risada sombria.
Alice sentiu as pernas bambearem, e quase sentiu o corpo desfalecer ali, mas se esforçou para manter-se firme.
- N-não John. – disse ela tentando ser o mais convincente que podia – Só estou assustada ainda por você ter chegado assim, de repente. – forçando um sorriso.
- Ah! Desculpe-me Ash, não foi minha intenção assustá-la. – sarcástico.
- O que você quer John? – perguntou Alice finalmente, se esforçando para ser dura e firme.
O olhar de John escureceu ainda mais, seu semblante endureceu, e o silêncio a pode deixar escutar os dentes dele cerrarem com força.
- Eu quem pergunto o que você quer Ashley? Você se acha esperta demais não é? – disse John entre os dentes, com raiva.
- Eu não quero nada John, eu não sei por que você está falando desse jeito e fazendo tudo isso, eu apenas queria fazer amizade com você hoje, não sabia que falar com você causaria tudo isso. – disse Alice assustada com toda a situação.
John soltou uma sonora gargalhada sarcástica, e voltou seu olhar duro para os de Alice.
- Você poderia ser atriz sabia? Você quase conseguiu me comover com tudo isso, quase. – deu ênfase ao “quase” e continuou – Você realmente não sabe onde está se metendo, você não é tão esperta quanto pensa, mas eu vou te dar um aviso. – olhou-a profundamente nos olhos, como se a pudesse manipular dessa forma – A verdade é uma coisa bela e terrível, por isso deve ser tratada com grande cautela. – disse quase num sussurro da forma mais calma que ela vira desde que o conhecera – A verdade será muito bela para mim, mas para você e muitas outras pessoas, ela seria e será muito terrível. – disse sombriamente e, em seguida, sorrio sarcástico.
Alice precisou de muito esforço para encontrar novamente o seu ar, e respirou fundo, buscando forças para respondê-lo, na verdade:
- Por que está me dizendo isso? – perguntou Alice.
- Você sabe melhor do que eu Ash, você sabe. – afastando-se dela - Mas não se preocupe, eu não vou atrapalhar em nada, a menos que isso comece a me incomodar, o que já está acontecendo. – deu uma risada sombria, e caminhou para fora do beco – Tchauzinho Ash. – disse sarcasticamente, acenando sobre os ombros.
Alice ficou olhando a sombra de John ir embora, e ficou por longos minutos sem ação.
- Ele sabe! – foi apenas o que pode dizer [...]


sábado, 10 de julho de 2010

Discretamente Perigoso (Capítulo II)

 Acompanhem desde o Capítulo I

John era um garoto com porte de jogador de futebol americano, mas odiava qualquer tipo de esportes, tinha os cabelos compridos, um olhar obscuro, usava apenas roupas pretas, seu sorriso, quando aparecia, era carregado de sarcasmo, era agressivo, insensato, se visse alguém o olhando, já queria tirar satisfações e saber o motivo, e foi assim que conheceu Ashley (Alice), estava sentado na fileira ao lado, um pouco mais a frente que ela, e sentiu o peso de seu olhar sobre si, virou o rosto lentamente em sua direção, e a olhou de uma forma tão obscura que ela teve de fazer muito esforço para encontrar o ar que lhe havia faltado naquele momento, desviou seus olhos e ouviu-se o som ensurdecedor de um sinal que indicava que era hora do intervalo, Ashley então permaneceu sentada em seu lugar, assim como John, quando todos saíram da sala, Ashley se levantou e caminhou até uma cadeira a frente de John, e se sentou:
- Olá! – disse ela, dando o seu sorriso mais simpático.
Ele a olhou, sério, sem esboçar nenhuma reação:
- Oi! – disse ele, friamente.
A voz dele era grossa, e a frieza dele a fez sentir um arrepio, ele estava causando sensações estranhas nela, sensações de pavor, mas ela se concentrou e continuou:
- Prazer, meu nome é Ashley! – disse estendendo-lhe a mão.
Ele olhou a mão dela, e voltou a olhá-la nos olhos e disse:
- John, o prazer é todo seu! – mais uma vez friamente.
Ela recolheu sua mão, que não foi retribuída com um aperto, mas ainda sem desistir:
- Você sabe se tem muitas festas por aqui? – sorrindo simpaticamente.
Ele a olhou fulminantemente, olhou ainda mais fundo em seus olhos e se levantou da cadeira, apoiando as suas mãos em cima da mesa, deixando seu rosto, e consequentemente seu olhar mais perto do dela, ela sentiu o chão sumir e o ar lhe faltou:
- Tem algumas coisas que você precisa aprender sobre mim Ashley. – disse ele com tom de desprezo ao pronunciar o nome dela – Não fale comigo, a menos que eu puxe assunto com você, muitas pessoas já se arrependeram amargamente por quebrar essa regra. – disse ele cuspindo as palavras, quase gritando – Entendeu? – e finalmente sorrio, um sorriso sarcástico e sombrio.
Ashley só conseguiu assentir lentamente, tentando novamente encontrar seu ar, tentando desviar seu olhar do dele, o que parecia impossível, pois era como se seus olhos tivessem criado vida própria a impedindo de controlá-los:
- Ótimo Ash – disse ele sarcástico, com o mesmo sorriso no rosto.
Saiu de seu lugar, e sumiu pelo corredor, Ashley ficou o seguindo com o olhar, e lentamente foi respirando fundo, enchendo seus pulmões de ar novamente, precisou de alguns minutos para se recuperar completamente daquela situação. Ela não sabia o que pensar, ficou analisando tudo aquilo, e então ao virar seus olhos em direção a porta, viu uma garota, loira, alta, realmente muito linda, que estava a observando:
- É melhor você ouvir o que ele disse, ele não estava brincando, toma cuidado. – disse a garota docemente.
Ashley ficou olhando-a, que rapidamente saiu pelo corredor, permaneceu sentada e o desespero começava a tomar conta de si, sem saber se iria realmente conseguir descobrir o que devia, seu olhar se perdeu em um ponto qualquer, e seus pensamentos estavam em uma guerra de consolo e assombro [...]



quinta-feira, 8 de julho de 2010

Só mais uma noite


Com o pensamento em você, me lembro de quando éramos apenas duas crianças, sem saber o que realmente seriamos, sem saber até onde iríamos juntos, sorrindo por nada, apenas felizes por estarmos um ao lado do outro, mas agora estou andando sem rumo, procurando um destino, seu rosto me vem a cabeça, e ele está tão gélido, seu coração está tão duro, teu sorriso estão tão diferente, é como se o tempo tivesse apagado toda e qualquer tipo de boa lembrança que existia de nós dois, é como se pra você, eu fosse apenas mais uma pessoa que passou pela tua vida e nem ao menos marcas deixaram, a noite agora parece tão mais escura, a lua não brilha tanto como eu me lembro que ela fazia junto ao teu olhar, a chuva cai fina sobre a cidade, e faz frio, só não sei se faz mais frio dentro ou fora de mim, eu quero te arrancar de mim, quem dera eu pudesse viver sem um coração.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Discretamente Perigoso (Capítulo I)

Dan era um jovem de apenas 19 anos, que morava em um bairro de classe alta em Seatle, tinha cabelos pretos, quase reluzentes à luz do sol de tão negros que eram, os olhos de um verde bem claro, era alto, corpo bem esculturado, um garoto sorridente que esbanjava simpatia por onde passava, todas as garotas faziam de tudo para chamar a sua atenção, e apesar de saber de sua beleza era calmo demais, e sorria divertido com as tentativas frustradas das garotas.  Cursava publicidade em uma das melhores faculdades de Seatle, era apaixonado por criar, e tinha uma incrível criatividade ao fazer isso, e esse era um dos motivos por ter escolhido esse curso.
Todos gostavam de estar com Dan, e também o admiravam pelo seu jeito tão diferente de ser de todos os outros garotos daquela cidade; sua mãe, Lise, se orgulhava o tempo todo de seu filho, por tantos elogios que recebia de professores, e até mesmo de pessoas que simplesmente o viam passar pela rua.
Dan não era muito de sair, mas em uma noite qualquer, ele resolveu sair com alguns amigos para uma boate bastante movimentada, e como não era muito de beber, deu alguns goles de bebida, e logo começou a sentir-se mal e então resolveu ir fora de toda a multidão para tomar um ar [...]
Seus amigos estavam desesperados a procura de algum vestígio de Dan, horas haviam se passado desde a última vez que o viram, e de pronto avisaram sua mãe que logo chamou a polícia [...]
Alice, uma jovem detetive, de apenas 24 anos, foi encarregada de descobrir os mistérios que cercavam o desaparecimento de Dan naquela noite, e pra isso, ela teria que se infiltrar entre os alunos da Universidade sem se deixar perceber pelos estudantes daquele lugar, e para isso passou a ser conhecido por lá como Ashley; e então, no seu “primeiro” dia de aula, estava nervosa e ao mesmo tempo ansiosa, pois era seu primeiro caso de tamanha importância, estava frente ao espelho do banheiro olhando para si mesma, ensaiando caras e falas, e ao ouvir o sinal para o início da aula, respirou fundo e disse para si mesma:
- Ficar no anonimato. Claro, eu consigo fazer isso. Com toda certeza. – E sorriu o mais convincente que pode e saiu do banheiro em direção a sala que lhe fora indicada.
O corredor parecia longo demais, o som daquelas quase ainda crianças conversando e rindo pelos corredores penetravam seus ouvidos e percorriam todo o teu corpo numa explosão de adrenalina que estava tomando conta de si, olhava para todos os lados tentando se situar e se familiarizar com aquele ambiente que ela ainda conhecia bem, ao chegar em sua sala, pareceu que todos os olhares se voltaram para ela, e suas pernas parece que iriam deixá-la cair frente todos aqueles olhares curiosos, ela num súbito momento de lucidez, respirou fundo tentando encontrar todas as tuas forças e disse o mais audível que pode:
- Com licença! – sorrio timidamente.
Caminhou para o único lugar vago que ainda havia, na última cadeira da última fileira, e se sentou, observando cada rosto que ali estavam presentes, tentando por meras expressões encontrar alguma resposta para as tantas perguntas que a tinham levado até ali [...]



segunda-feira, 5 de julho de 2010

Eu tento entender


Eu tento entender e encontrar um mero e simples motivo que seja pra tudo isso, pra eu te tratar com tanto... Desprezo, tanta indiferença... Enquanto você, só se preocupa comigo, enquanto você o tempo todo tenta fazer o que é melhor pra mim, mesmo que se torne muito chato às vezes, você se preocupa comigo de uma maneira que eu não sei dizer, claro... Não poderia ser diferente, é teu dever fazer isso, é teu dever cuidar de mim, me proteger, se preocupar com o que eu faço ou deixo de fazer.
São 17 anos ao meu lado, me apoiando e tentando fazer o melhor para mim, dando o melhor de si, e a minha retribuição? Não há! Apenas a ingratidão, sim... A ingratidão de uma mente inconseqüente, um pensamento tolo e um coração gélido ao se tratar de você, por quê? Por que eu não consigo abandonar toda essa frieza e te mostrar tudo o que sinto? Por que eu não consigo abrir meus olhos e enxergar que a errada nisso tudo sou simplesmente eu?
Você sempre segurou a minha mão quando eu precisava de segurança, você sempre me acolheu no teu forte abraço quando eu estava caindo, você que sempre me incentivou em tudo, você que sempre esteve lá, presente, vendo de perto cada conquista da minha vida, fossem elas simples ou importantes, você que sempre e sem exceção esteve sempre do meu lado, mesmo que você estivesse contra todos, ao meu lado você nunca deixou de estar.
E no final de tudo isso, eu apenas queria chegar perto de você o máximo que eu pudesse, te abraçar bem forte, e olhar nos teus olhos e te pedir perdão, dizer que te amo demais e que você é o meu porto seguro... Antes que seja tarde demais.

sábado, 12 de junho de 2010

Infância

Eu olhei para o céu e senti o céu nos meus olhos, senti a brisa cortando meu rosto, e me lembrei de quando era criança, de quando corria debaixo desse mesmo sol e ouvia minha mãe dizer "não fica no sol quente, faz mal", sentia essa mesma brisa no meu rosto, tão gélida por vezes, então eu comecei a me lembrar da minha infância...
Isso soa muito clichê, mas quando somos crianças, queremos crescer logo, ser adultos, podermos fazer tudo, mas quando crescemos, vemos que as coisas não são como pensávamos que fosse, e então queremos ser criança de novo. Ser criança é tão bom, não se tem compromissos, não se tem obrigações, não se tem responsabilidades, é tão feliz ser criança, poder brincar e se sujar, sem precisar se importar com o que vão falar, com a maneira que vão te olhar na rua, afinal, você seria uma criança, ninguém te julgaria.
Se nesse momento uma lâmpada com um gênio dentro me surgisse na frente agora, eu não precisaria dos três pedidos, apenas um me seria suficiente, eu pediria para voltar a ser criança, sem dúvidas esse seria o meu pedido, é bom sonhar, se não posso ser uma criança, porque não sonhar como tal?
Infelizmente vivemos um ciclo, e temos que crescer e não temos meios de fugir de enfrentar a vida, enfrentar o sofrimento, as dores, as lutas, mas também passar por novos momentos de felicidade, novas conquistas, novas alegrias, o tempo passa, e nós passamos com ele... Isso, é a única certeza que nesse momento há em minha cabeça, não somos imortais.

Um novo alguém


Marcela e Lucas estavam namorando havia quase 3 anos, quem os olhava percebia o quanto se amavam, ela tinha 21 anos e ele 22 anos, eram jovens ainda, mas tinham sonhos, olhavam sempre na mesma direção, eram muito mais do que um casal de namorados, eram amigos e cúmplices.
Em uma tarde de verão, saíram os dois para dar uma volta pela cidade onde moravam, caminharam um pouco, e sentaram-se em um banco que havia por ali, Marcela deitou sua cabeça no colo de Lucas e ele começou a acariciá-la, como sempre, muito carinhoso:
- Amor, eu tenho algo a te contar. - disse ela olhando séria pra ele.
- Aconteceu algo? - disse Lucas em seguida, preocupado.
Então, Marcela soltou um longo suspiro, fechou os olhos por um pequeno momento e lhe responder num sussurro:
- Sim... - e quando ele ia falar algo, ela abriu os olhos, e continuou - Lucas, nós já estamos juntos há quase 3 anos, nos amamos demais e isso é um fato inquestionável, eu sei que talvez isso que eu vá lhe contar agora, possa acabar com tudo que contruímos até aqui, mas eu não posso te esconder isso, sempre vivemos um relacionamento de sinceridade, não quebraria jamais essa nossa cumplicidade... - ao terminar de falar essas palavras, pegou a mão de Lucas carinhosamente e a pousou em sua barriga, e o olhando nos olhos, disse com medo e ao mesmo tempo carinhosamente - eu estou grávida.
Lucas ficou olhando-a sério, sem expressar reação alguma, ela começou a se preocupar e a ficar com mais medo, então disse:
- Fala alguma coisa! Não me deixa angustiada, por favor!
Lucas tirou a cabeça dela de seu colo, e levantou-se ficando de costas pra ela, Marcela com aquele ato, levantou-se do cando no mesmo instante que ele a olhou ainda sem expressar nenhum reação, ela olhando-o começou:
- Lucas não me olhe com essa cara, eu não fiz esse filho sozinha, eu não tinha a obrigação de prevenir ele sozinha, e se você não o qu...
Foi interrompida por Lucas que acabara de puxar ela para si, e a beijado como nunca havia feito antes, a beijou com todo amor que podia, um beijo rápido, mas intenso, separou lentamente os lábios dos dela, e sussurrou com a testa colada na dela e os olhos fechados:
- Marcela, eu não tenho palavras pra lhe dizer o que estou sentindo agora, eu apenas posso dizer que eu nunca poderia ter recebido melhor notícia em toda a minha vida. - ele afastou o rosto do dela, e a olhou - ter um filho com você é o melhor presente que eu poderia ganhar.
Ela ao ouvir tudo aquilo não quis abrir os olhos, apenas sorriu intensamente, e o puxou para ela, o abraçando com todas as tuas forças, sussurrando:
- Eu te amo!
Lucas, retribuindo seu abraço, começou a girá-la no ar, e gritou:
- Eu te amo!
Enquanto Marcela não sabia se ria, se gritava ou se chorava de tanta emoção, e ali, no meio de todo aquele amor, surgia um novo alguém, que sem dúvidas iria receber muito amor.

Lembrança

Sempre me pego pensando nas suas caras e bocas, nos momentos que tivemos juntos, nas brincadeiras de criança, é só fechar os olhos e sua imagem me vem a cabeça como se você estivesse na minha frente naquele mesmo momento, me lembro de nossas tardes sentados conversando na beira do mar, dos seus sorrisos, cada sorriso era diferente, cada um deles tinha algo mais especial que os outro, e os teus olhares? Impossível esquecê-los, foram eles que me fizeram encantar por você, são eles que agora, ao olhar para trás, iluminam todo o passado, os seus carinhos ainda me fazem suspirar como sempre fizeram, o grave tom da tua voz penetra em meus ouvidos e passeia por todo o meu corpo me fazendo sentir um gostoso arrepio como se estivesse ali me falando ao ouvido agora, o calor do teu abraço ainda me faz fechar os olhos e querer sentir aquilo por toda a vida, querer que o tempo pare naquele momento para que eu nunca mais tenha que deixar de te sentir.
Mas vocês se foi, foi embora sem dizer nem ao menos adeus, e só me restaram às lembranças, as lembranças de um quase amor, ou talvez de um amor não correspondido, o beijo tão dove que ainda me faz delirar nos meus mais profundos insanos devaneios, você se foi da minha vida e eu não pude te impedir, não me deu chance de dizer que eu precisava de você aqui do meu lado, não me permitiu dizer que tudo que eu mais queria era que fosses meu, mas nunca foi, nunca o tive só pra mim, ou eu tive? Se sim, eu nunca soube disso, e pensar dessa forma, me faz pesar ainda mais, porque nunca me disse, porque nunca demonstrou, você sabia que eu te amava, e mesmo assim fingiu que nada acontecia, e mesmo assim continuou agindo como se eu não me importasse com as tuas aventuras, você não se importou comigo, mas eu me importei com você, e ainda continuo me importando com a tua ausência, me importando com o motivo de ter levado você a ir embora sem se despedir, eu viro noites tentando descobrir a resposta para essa questão que martela meus pensamentos noite e dia, mas não a encontro, porque você me dava as respostas, porque só você me fazia entender tudo que se passava dentro de mim, mesmo que eu nem fizesse a mínima ideia do que se passava lá fora, no mundo.
Você soube me fazer sentir a pessoas mais importante do mundo pra você, assim como soube me fazer sentir um nada, mas eu sei, que um dia, eu vou saber, eu vou conseguir agir como se você fosse simplesmente nada para mim.

Apenas... Eu


Estava me sentindo estranhamente bem, meu coração batia de forma diferente, eu mal podia parar de sorrir, sentia como se nada fosse capaz de acabar com aquele meu momento de felicidade, estava me sentindo completa, mesmo que não tivesse ninguém me completando, havia milhões de pessoas na rua, e todas ela pareciam felizes também, eu as olhava e as cumprimentava, mesmo sem saber quem eram, eu não me importava, na verdade eu não estava me importando com nada aquele dia, eu estava me sentindo inteiramente feliz, e quando senti a neve cair em meu rosto, ri comigo mesma, e continuei a sentir o gelado daquelas pequenas "pedrinhas" que caíam do céu, sentia uma liberdade sem igual, como se eu pudesse sair voando a qualquer momento por ali, por aquele lugar, que eu pouco conhecia, mas habia me trazido paz, como a anos eu não sentia, e enquanto brincava com a neve, pessoas me olhavam, umas deveriam estar pensando "só pode ser louxa", outras apenas riam de mim, ou então me olhavam com olhar de reprovação, mas eu não me importava, porque eu estava louca, eu estava louca pela vida, estava desejando viver cada dia mais, estava ansiando por cada segundo de meus dias que ainda estavam por vir, eu queria mais, o meu coração me fez entender que tudo que eu precisava para ser feliz, estava ali agora: eu.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Nunca desistir


Kate andava rápido pelos corredores da estação, praticamente corria ao encontro de Paul que iria partir dali alguns instantes, estava aflita, seu rosto demonstrava perfeitamente isso sem que precisasse de nenhum esforço de todos que a olhavam com uma expressão de dúvida, outros com uma pouca irritação devido ao esbarrões que ela dava por estar andando rápido demais, mais uns passos e avistou Paul a ponto de entrar no metrô.
- Paul! - gritou.
E então, correu até ele, no mesmo momentos em que ele se virou para olhá-la, ficaram se olhando por longos instantes, até que ele lhe perguntou:
- O que está fazendo aqui Kate? Eu lhe disse que não queria que viesse, eu fui claro quando disse que era melhor que terminássemos. - Paul falou ríspido ao mesmo tempo em que com um tom de sofrimento.
Kate ficou olhando-o e sentiu seus olhos serem tomados pelas lágrimas que já escorriam pelo teu rosto.
- Eu te amo Paul! Eu quero ficar com você, mesmo que você esteja longe, é só com você! - disse ela num sussurro em meio às lágrimas.
- Kate, por mais que você me ame, por mais que eu te ame, nós não podemos, eu estou indo embora, e nem sei quando volto, nem ao menos sei se voltarei... Não posso prendê-la a algo tão incerto. - ddisse ele a olhando sério.
- Você me ama Paul? - olhou-o nos olhos ao dizer.
- Eu a amo como jamais amei a ninguém Kate - respondeu ele, retribuindo o olhar, mas logo em seguida desviando o olhar - mas mesmo assim não podemos, você tem uma vida toda pela frente, eu tenho uma vida toda pela frente, conheceremos novas pessoas, podemos nos apaixonar por outro alguém...
- Paul, você é a minha vida, é por você que eu sou e sempre serei apaixonada, e mesmo que você esteja indo sem saber se volta ou quando volta, eu ainda quero você, mas se você não me quiser mais, então diga. - disse Kate interrompendo-o.
- Eu quero você Kate, e por te querer, por te amar como eu te amo que eu quero que seja feliz.
- E como serei feliz se não estiver com você?
- Pau suspirou, mas nada disse, não soube o que responder, ficou olhando Kate, ficou olhando cada detalhe de seu rosto, a admirando. Então, ela disse:
- Paul,  algo que aprendi foi que diante do amor verdadeiro não se desiste. Mesmo que essa pessoa implore que desista. E eu não vou e não posso desistir de você, eu vou te esperar, seja o tempo que for, eu sempre estarei aqui a sua espera.
Ele ficou olhando-a sem saber o que lhe dizer, olharam-se nos olhos e foram ao encontro deum abraço apertado e forte, ficaram abraçados por longos minutos, até que o silêncio é quebrado pela "voz" dizendo que o metrô já está quase partindo, os dois soltaram um longo suspiro pesaroso, então se soltaram, e se olharam nos olhos e Paul disse:
- Eu te amo Kate! - e sorriu em seguida.
- Eu também te amo Paul! - disse num sussurro retribuindo o sorriso.
Entrelaçaram seus dedos, sem deixar de olhar-se por um segundo, Paul foi soltando a mão de Kate lentamente enquanto ela sussurrava entre lágrimas:
- Eu vou te esperar!
Pelos olhos de Paul escorreram lágrimas envergonhadas, que foram limpas rapidamente por ele, que sussurrou:
- Você é a minha vida!
Soltou completamente a mão de Kate, e entrou no metrô que se foi seguido pelo olhar triste de Kate até ficar fora de seu campo de visão.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Loucura (?)

" Longas noites passei, tentando encontrar alguma razão para todos esses sentimentos que assombravam o meu peito, pensamentos torturantes e agoniantes rodeavam cada parte da minha cabeça, meu coração hora batia cada vez mais lento, e a sensação de que iria parar a qualquer momento era desesperadora, hora batia acelerado demais como se assim suprisse alguma dor que estava cercando-o. Era impossível achar o motivo, por mais que eu tentasse encontrar; mas então tua imagem surgiu em minha cabeça e no silêncio mortal, todos os detalhes de repente se encaixaram, numa explosão de intuição, e eu não pude acreditar no que meu coração insistia em confirmar, e o mais apavorante foi sentir a minha razão concordando com toda aquela loucura.
Eu não podia acreditar, não podia ser verdade, é loucura, é irracional; você não entenderia, ninguém entenderia, jamais alguém aceitaria tamanha insensatez... Mas, quem disse que eu me importo com o que vão pensar? Eu me importo com o que você vai pensar, e mesmo que não entenda, são os meus sentimentos, são sinceros, sentimentos de um coração puro, e eu não poderia suportar por mais nenhum segundo dizer "eu te amo" e deixar com que sua mente acreditasse na hipócrita ideia de não ser algo mais do que você algum dia já pode imaginar. "

sábado, 5 de junho de 2010

Uma tarde qualquer


Era uma tarde de sábado, Lisa estava entediada dentro de sua casa, então, resolveu sair e dar um passeio, levantou de sua cama onde estava deitada, se arrumou, e foi em direção a uma espécie de "campo" que tinha em sua cidade, chegando lá, muitas crianças brincavam, e começou a se lembrar de sua infância, e trouxe a sua mente um garoto, Matt era seu nome, e ficou a pensar nele, era seu amigo quando crianças, e ela sempre gostara muito dele, mais do que um amigo, mas nunca havia tido coragem de contar a ele, os dois tinham por volta de 14 e 15 anos, passaram-se alguns anos, e ele mudou de cidade, e desde então, nunca mais o viu e nem falou com ele.
Com esses pensamentos, se deitou na grama alta do "campo", e ficou a olhar o céu, estava um lindo dia, o sol brilhava no céu limpo, todo azulado, e ela ficou a admirar tudo aquilo, até que em alguns instantes adormeceu.
"Matt tinha acabado de pegar Lisa em sua casa, com uma caminhonete vermelha que havia ganhado de seu pai, e os dois foram rumo ao "campo", iriam fazer um piquenique, ao chegarem lá, ajeitaram todas as coisas no chão, e foram caminhar pelo lugar, e então Matt de repente se vira para Lisa e pergunta:
- Lisa... O que faria se eu te desse um beijo agora?
Ela ficou olhando pra ele, e em seguida deu um sorrisinho torto, e se aproximou do rosto dele, e falou baixinho:
- Se você quer, vem pegar! - e deu um sorriso sapeca, e logo em seguida saiu correndo.
Matt ficou olhando-a por uns instantes meio entorpecido com o doce ar da respiração de Lisa que havia sentido, mas em seguida riu da molecagem daquela menina mulher, e saiu correndo atrás dela, e ficaram assim por um tempo, os dois rindo, ele atrás dela, quando Lisa cansou e se deixou pegar, ele então a abraçou, e ficaram se olhando por longos e intensos segundos, e numa fração de segundos se beijaram [...] "
Lisa abriu os olhos rapidamente e se sentou, olhando tudo envolta tentando encontrar algum vestígio de que aquilo tinha sido real, mas não encontrou, e por um momento entristeceu-se, mas ao olhar pra frente, viu um casal se beijando, em uma cena parecida com a que viu em teu sonho, e ao se lembrar do sonho, sorriu e ficou a observar aquele casal por alguns instantes, em seguida fechou os olhos e sussurrou para si mesma:
- Queria que tivesse estado aqui Matt. - e em seguida riu de si mesma - Mas fico feliz por ter sentido teus doces lábios nos meus sonhos. - suspirou sorrindo.

A felicidade


É difícil entender certas coisas, você procura a razão de tudo, a razão de por que isso ser assim, o motivo pelo qual isso aconteceu, e quando acha que está encontrando, tudo volta a se perder entre borrões e coisas abstratas, não é assim?
Tudo dá errado, nada acontece da maneira que queria ou deveria acontecer, mas mesmo assim insisto, talvez eu tenha uma fraqueza por causas realmente perdidas, não por querer, não por gostar... Ou sim? Mas, talvez porque acredite que sempre há um jeito, que nunca tudo está perdido, ninguém nos disse que seria fácil vivermos, ninguém disse que passaríamos todos os dias rindo felizes e nem sorrindo de tudo, mas todos disseram que algo é impossível, mas ninguém provou.
Alguns dizem que encontrar a felicidade é algo impossível, mas como pode ser impossível encontrar o que está dentro de nós? Procuramos sempre o "dono" da nossa felicidade, e fazendo isso, deixamo-nos cegar e não perceber que só nós somos os donos da nossa própria felicidade, ninguém tem o direito de carregar consigo a obrigação de fazer outro alguém feliz, nós somos seres humanos completos, não nascemos faltando uma parte disso ou daquilo. A nossa felicidade está em nós, basta deixarmos de procurar fora e olhar pra dentro, basta deixarmos de colocar obstáculos onde não é necessário, basta deixarmos de fechar os olhos de nossas almas e olharmos apenas com a frieza de um mero olhar.
Se você quer ser feliz, olhe pra dentro de si, deixe-se entregar a si mesma, a tua alma, e quando fizer isso, verá que o que sempre procurou, nunca saiu de dentro de você.


Até onde vai?


O mundo está se perdendo, indo para um caminho sem volta, e as pessoas não se dão conta, não levam a sério, como se tudo fosse uma simples brincadeira, como se o mundo fosse inabalável, mas não, ele não é.
As pessoas abusam de toda a natureza, a enfrentam, pensam que podem contra ela, mas quando acontecem as tragédias, quem é o culpado? Deus? Não... Vocês são os culpados, nós somos os culpados. Mas em tudo é assim, procuramos culpar outras pessoas para nos livrar do peso da culpa.
Ninguém acordou ainda pra perceber que o tempo está acabando, que o nosso tempo está chegando ao fim, talvez, quando acordarem, será tarde demais. A fúria da natureza contra seus ofensores está cada vez maior, e não, ninguém pode pará-la, nos foram dadas chances, e todas foram desperdiçadas, ignoramos como se nada fosse acontecer, mas então o mundo se revoltou... E nós? Coitados... Somos meros mortais a deriva da enorme fúria que está nos esperando.
É apenas o dinheiro que importa a vocês autoridades e superiores hipócritas? É uma conta no banco cheia que importa a vocês sociedade medíocre? Pois então morram só, não nos matem, não matem o mundo, a natureza; ela, nós, não temos culpa da insanidade medíocre que corrói vocês, não somos culpados pela obsessão que têm pelo poder, um pedaço de papel que está acabando com um mundo inteiro. E você, de que lado está? Vamos acordar, vamos deixar de só falar e nos passar por pessoas bonitinhas e conscientes que só falam, mas nada fazem.
Está ficando tarde para agir, mas ainda temos tempo, pouco tempo, e o que nos impede de começar agora? Nada.

" Somente depois da última árvore derrubada, depois do último animal extinto, e quando perceberem o último rio poluído, sem peixe, o homem irá ver que dinheiro não se come. "

(Provérbio Indígena)